UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS CAMPUS – IV
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM GEOGRAFIA
DOCENTE: MARCONE DENIS NUNES
UESLLEY CAVALCANTE TEIXEIRA
As características naturais, econômicas, populacionais e urbanas do continente asiático
Jacobina – BA
2011
Introdução
A presente pesquisa surgiu da necessidade de ampliarmos os estudos sobre as práticas de ensino de geografia, de estabelecermos um diálogo entre o conteúdo didático do ensino fundamental da ciência geográfica e as suas categorias de análise. Observamos aulas de geografia do nono ano do ensino fundamental e analisamos o livro didático que subsidia o professor nessas aulas.
Realizamos uma pesquisa que contemplou as discussões dos livros didáticos sob a luz das categorias geográficas. Estudamos as formas de trabalhar os conteúdos didáticos do ensino fundamental de geografia, enfatizando aqueles referentes a terceira unidade, que englobou os estudos do continente asiático. Relacionamos os estudos sobre demarcação territorial do continente asiático, clima, vegetação, relevo, hidrografia, desenvolvimento da indústria, o extrativismo mineral, densidade demográfica, emprego, índice de desenvolvimento humano, urbanização presentes no livro didático relacionando-as com as categorias de analise território, região e paisagem presentes nos livros didáticos e paradidáticos de geografia.
Entendendo o processo ensino aprendizagem como aquele onde há possibilidades de criação do conhecimento, e não a mera repetição dos conteúdos oriundos dos vários livros. Buscamos, dessa forma, elucidar a importância e potencial da geografia na tentativa de uma educação que contribua para formação de indivíduos ativos no processo de (re) construção do mundo em que vivemos.
Estudamos as instituições de ensino, a educação, na perspectiva de Viera Pinto, ou seja, encaramos a educação através do seu sentidos contraditórios, na busca pela conservação da superestrutura existente ao mesmo tempo que potencialmente possibilita uma idéia contraria a estruturas e saberes já consolidadas. Para realização desta pesquisa nos apegamos ao método dialético com uma abordagem mista.Como a metodologia é dialética na pratica não da para estabelecer momento estanque nas fases da pesquisa pois a sem um diálogo entre as etapas, no entanto, para facilitar a compreensão, dividimos esta pesquisa em três períodos.No primeiro discutimos a construção do projeto no âmbito da universidade e observamos aulas no ensino fundamental; no segundo momento aplicamos o projeto através do estagio; no terceiro momento a elaboração de um blog que receberá as informações das atividades realizadas durante o estágio construirmos um memorial com relatos da aula de estagio contemplando as considerações finais desta pesquisa.
Projeto de Intervenção
Título: As características naturais, econômicas, populacionais e urbanas do continente asiático.
Objeto: Discutir as categorias geográficas dentro do programa dos conteúdos de geografia presentes no livro didático do nono ano do ensino fundamental sobre o continente asiático.
Problema: De que forma as categorias geográficas, e as temáticas do continente asiáticos podem ser discutidas entre a programação didática do nono ano do ensino fundamental de geografia?
Objetivo Geral: Contemplar as mais diversas discussões do livro didático de geografia sob a luz da categoria de analise espaço e do seus conceitos ( território, paisagem, lugar e região) que compreende a ciência geográfica.
Objetivos Específicos:
· Especificar a demarcação territorial do continente asiático através da categoria território;
· Estudar o clima, vegetação, relevo e hidrografia da Ásia dando ênfase a categoria região;
· Debater o desenvolvimento da indústria, extrativismo mineral, vegetal, o setor terciário da economia nos ancorando nas categorias lugar e região;
· Relacionar as características populacionais como densidade demográfica, migração, emprego, Índice de desenvolvimento humano sob as diferentes regiões do território;
· Analisar a formação, desenvolvimento e características sócio-espaciais urbana na Ásia.
Justificativa:
A maior parte dos defensores do ensino público concentra seus esforços na luta pela estatização, sem explicar uma preocupação com a reforma necessária para transformar a instrução estatal a uma educação a serviço dos interesses públicos e do futuro. Alguns não defendem a necessidade de avaliação, de demissão dos incompetentes e dos irresponsáveis, nem um compromisso com a qualidade e a busca de soluções para os problemas do país e de seu povo. (BUARQUE 1991 p.55)
Em sua gênese, o domínio da leitura e da escrita constituía privilégios das classes dominantes, contudo, a partir do ideal Iluminista que teve como berço a Europa, em especial a França,e, guiados pelo poder da razão os seres humanos passam a ser considera “iguais” diante do seu potencial racional, e, dessa forma, constrói-se a percepção de uma formação cultural mais abrangente. Contudo, quando a educação passou a ser privilegio de “todos” e dever do Estado, percebemos que os conteúdos de geografia foram divididos, e, um desses enfoques foi estrategicamente mediocrizados, para que, assim, a população não dessem importância ao estudo desta ciência . Dessa forma, o estudo de geografia foi dividido e aquelas práticas de importância estratégica com gestão e administração do território-nação, da sociedade, do mundo, foram ocultadas, emergindo nas instituições de ensino uma geografia descritiva, decorativa, que não enfatizavam as relações sociais.
Apesar das varias crítica lançadas aos métodos do ensino descritivo da geografia, estas práticas ainda estão presentes em muitas instituições de ensino. Este projeto surge da necessidade de ensinar o conteúdo didático do ensino fundamental através da dialética conteúdos/categorias geográficas de forma cabal e crítica, ou seja, sem omitir sua relevância e potencial de intervenção na realidade vivenciada por nos, homo sapiens, e, também com intuito de ampliar os estudos geográficos. O estudo de geografia é de fundamental importância para a formação do ser humano, pois, se não tivermos a capacidade de entender os processos de produção e reprodução do espaço em que vivemos como vamos poder intervir nas relações que o engendram? E, já que, o processo ensino aprendizagem de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacional, visa à formação de indivíduos críticos, que intervenha na realidade social, através das práticas de ensino da geografia poderemos auxiliar no desenvolvimento da criticidade dos discentes de forma mais aguçada, já que, a geografia estuda as relações sócio-ecômica, políticas, culturais que produz e reproduz nossa sociedade.
Fundamentação Teórica:
...É evidente que a escola não produz, mas apenas reproduz a desigualdade social [...] E, além disso, a escola contribui para reprodução do capital: habituamos o aluno á disciplina necessária de trabalho na indústria moderna a realizar sempre tarefas novas sem discutir para que serve, a respeitar a hierarquia...(OLIVEIRA . 1998 p.31)
Nossa perspectiva de ensino vai de encontro a esta ideologia de submissão à ordem vigente sem questionamentos, mas também não se resume em apenas negar a superestrutura da ordem vigente. Sabemos que todo e qualquer sistema de educação, educa com algum sentido, e que a escola ao mesmo tempo em que prepara o ser humano para o mercado de trabalho legitima as suas relações de produção e reprodução de capital, legitima e defende as relações patrão empregado e, dessa forma, reproduz todo o arsenal ideológico e hierárquico da sociedade capitalista. Nossas práticas estarão vinculadas às idéias freirianas e ancoradas nos PCNs, ou seja, em busca de uma educação crítica, que dê ênfase a formação de pessoas ativas no processo de (re) construção da sociedade.
Considerar-nos-emos as instituições de ensino, a educação, na perspectiva de Vieira Pinto (1999), onde este afirma que a educação é por natureza contraditória, pois compreende a conservação dos saberes e ordem existente como também a crítica e negação à substituição dos mesmos, ou seja, ao mesmo tempo em que ela é pensada para reproduzir a submissão à ordem vigente através de programas de educação passivos, do seu seio pode brotar indivíduos ativos que questionem a ordem existente e buscam transformar a sociedade em que vivem.
Segundo Oliveira 1998, a ocupação dos geógrafos e professores de geografia tem sido majoritariamente trabalhar na sala de aula, quer no ensino fundamental ou médio, contudo, o professor, por também está inserido em um contexto de dominação dificilmente consegue ultrapassar o conteúdo do livro didático e, assim, raramente consegue transformar suas práticas educativas e a sociedade em que vivem. Isso ocorre porque:
...os professores e alunos são treinados a não pensar sobre o que é ensinado e sim, a repetir pura e simplesmente o que é ensinado. O que significa dizer que eles não participam do processo de produção do conhecimento.
Isso se deve ao fato de que entre nós a divisão do trabalho acadêmico também está presente. Uns produzem teoria, outros ensinam, portanto praticam a teoria... (OLIVEIR 1998 p.28-29)
Nessa perspectiva, nós como graduando em geografia, pesquisadores e educadores, conhecedor nato das categorias geográficas e participantes ativos das discussões epistemológicas no âmbito desta ciência, procuraremos seguir as idéias de Freire (1996), onde este vai defender que não pode haver ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino e, a parti daí, praticar um ensino que venha auxiliar a criticidade do discente, uma educação onde “se convença definitivamente que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção ou construção” (FREIRE 1996 p.22). E, é através das discussões da categoria geográfica (espaço) e seus conceitos ( paisagem, território, lugar, região) no cerne do ensino fundamental que acreditamos está um das alternativas que alavancará a criticidade do discente.
É somente entendendo a geografia, o seu objeto de estudo, que poderemos compreender a sua importância para o entendimento do mundo que nos cerca, todavia, é através da reflexão sobre o que é geografia e o que é ensinado em geografia que embasaremos nosso projeto, pois, a “... reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência de relação Teoria/Pratica sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a pratica ativismo”(FREIRE 1996 p.22). Na presente pesquisa, explanaremos de forma sintética a categoria geográfica (espaço) e seus conceitos ( paisagem, território, lugar e região), contudo, no âmbito da discussão sobre continente asiático do livro didático do nono ano de ensino fundamental, daremos prioridade às categorias território, região paisagem.
Portanto, realizaremos uma dialética entre os conteúdos dos livros didático e paradidáticos de geografia. Na discussão do território o livro didático muitas vezes nos deixa desejar, resume o território a um estudo que deve ser iniciado “...pela área de formato do território, latitude e longitude, fuso-horario, etc.; deve destacar a sua imensa riqueza natural [...] Dessa forma [...] [ países continentes] passam a significar território e não povo ou sociedade” (OLIVEIRA 1990 p.32). Contundo nossa intenção apesar de não menosprezar os componentes naturais, os limites geográficos do território, estarão volta para a discussão do território na perspectiva geopolítica, pois na verdade não são as formas naturais que limitam um território, mas sim as relações sociais, relações estas que geram fenômenos que se refletem no espaço geográfico.
Nesse sentido, é possível então afirmar que as questões e os conflitos de interesse surgem das relações sociais e se territorializam, ou seja, materializam se em disputas entre estes grupos e classes sociais para organizar o território da maneira mais adequada aos objetivos de cada um, ou seja, do modo mais adequado aos seus interesses.(CASTRO 2005 p.41)
O mesmo ocorre na discussão da paisagem, o livro didático, subsidiado por docente que desconhece as categorias geográficas, costuma confundir a percepção de paisagem dos discentes, tanto é que, geralmente o entendimento de paisagem dos alunos do ensino fundamental muitas vezes se resume a uma representação fotográfica da natureza, de um local considerado por eles com belo. Entretanto, não podemos reduzir paisagem a uma imagem fotográfica, muito menos, há uma imagem da natureza ou simplesmente do que é belo ou o que é tido como belo por cada cultura. Primeiro, a fotografia, o exemplo nato de paisagem presente nos livros didáticos, não pode ser considerado uma paisagem, mas apenas um recorte desta. Numa discussão mais geográfica e epistêmica, paisagem está relacionada com o nosso campo de percepção visual, auditiva, olfativa e dessa forma não pode ser sinônimo de fotografia.
Tudo o que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível aquilo que a vista abarca. É formada não apenas dos volumes mas também das cores, movimento, odores, sons e etc.(SANTOS, 2008 p.67-68)
A categoria região, no livro didático, muitas vezes tem sido confundida, tem se apresentado como sinônimo de regiões naturais, discurso este que historicamente criou estereótipo. É comum ouvirmos pessoas associado à região Nordeste como à região pobre e seca, quando na própria divisão da região Nordeste está inserida áreas de alta pluviosidade, de riquezas imensuráveis. Temos que ultrapassar, combater, essa visão naturalista, apolítica e não geográfica de região que por muito confundiu os geógrafos.
...o conceito de região tem implicações fundadas no campo da discussão política, da dinâmica do Estado, da organização da cultura e do estatuto das diversidades espaciais; percebemos também que este debate sobre a região ( ou sobre os seus correlatos como nação), possui um inequívoco componente espacial, ou seja, vemos que o viés da discussão deste tema, da política, da cultura, das atividades econômicas, está relacionada especificamente às projeções no espaço das nações de autonomia, soberania e direito, etc.(CORREA 1995 p.52)
Assim, buscaremos desenvolver nossa pesquisa ação debatendo a geografia num enfoque crítico, onde o espaço, objeto de estudo da geografia, e todas as outros conceitos (território, paisagem, região e lugar), serão discutidas através das perspectivas defendidas por Santos (2008), processo, estrutura, função e forma, e, estes, sendo considerados produtos das relações sociais de produção que sofreu e sofre influencias do tempo, conjunturas políticas, socioeconômicas e culturais.
Metodologia:
Para realização desse projeto percorreremos o caminho do materialismo histórico e dialético, método de pesquisa dialético com uma abordagem metodológica mista. Dessa forma, não priorizaremos etapas estanques no processo de pesquisar, estaremos sempre indo e vindo, todavia, aqui sistematizaremos para facilitar a compreensão dos procedimentos utilizados. Primeiramente faremos uso de todo o conhecimento geográfico debatidos na academia, como também das vastas discussões no âmbito das práticas de ensino e de pedagogia. Nossa pesquisa iniciara com discussões na universidade a cerca da construção do projeto, em seguida passaremos para observação de turmas do ensino fundamental dois, que engloba do quinto ao nono ano de ensino, e análise do conteúdo do livro didático e, logo em seguida, após a analise no ambiente e material de projeto de estágio supervisionado III, identificaremos alguns dos problemas acerca do processo ensino-aprendizagem e criaremos alternativas para solucioná-los.
| Cronograma | |
| Mês | Dias |
| Julho | 19 - I aula; 23 – II aul; 26 – I aul; 30 – II aul. |
| Agosto | 2 – I aul; 6 – IIaul; 9 – I aul; 13 – II aul; 16 – I aul; 20 – II aul; 23 – I aul; 27 – II aul; 30 – I aul. |
| Setembro | 6 – I aul; 10 – II aul; 13 - I aul; 17 – II aul; 20 – I aul; 24 – I aul. |
| Cronograma | |
| | Ásia: aspectos gerais |
| Semana de aula | Conteúdos |
| Primeira semana | Relevo e rios asiáticos; clima e vegetação. |
| Segunda semana | População e diversidade regional; Brasil e China parceiro ou rivais; Projeções cartográficas. |
| Terceira semana | Atividade avaliativa (prova);Projeções cartográficas |
| Quarta semana | Leste asiático: Japão |
| Quinta semana | Leste asiático: China |
| Sexta semana | Atividade avaliativa (prova); os tigres asiáticos |
| Sétima semana | Oriente Médio |
| Oitava semana | A Índia |
| Nona semana | Atividade avaliativa (prova) |
Referências:
BUÁQUE, Cristóvam. O Colapso da Modernidade Brasileira: e uma proposta alternativa. Rio de Janeiro; Paz e Terra 1991
CARLO, Ana Fani Alessandri (org.).Novos Caminhos da Geografia.São Paulo: Contexto 1999
CASTRO, Iná Elias de.Geografia e Política: território, escala de ação e instituições. Rio de Janeiro; Bertrand Brasil 2005.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários às práticas educativas. São Paulo; Paz e Terra 1996.
OLIVEIRA, Ariovaldo U. de (org.). Para Onde Vai o Ensino de Geografia?São Paulo; Contextos 1998.
SANTOS, Milton. Metamorfose do Espaço Habitado. São Paulo; Universidade de São Paulo 2008.
PCNs, Parâmetros Curriculares Nacional